
Em alguns momentos o melhor que temos a fazer é parar, ver e refletir!
As idéias são tantas, mas tantas que acabam confundindo...
Conversando com um amigo que a muito não encontrava, tentei explicar o que acontecia em minha vida. Falei. Gesticulei. Quase desenhei.
Fico imaginando o que ele via naquele momento à sua frente, para antes de se despedir me lembrar que: " A angústia faz parte do ser pensante!"
Como é bom saber que não estamos sozinhos!
Um montão de gente está indo pra lá... As vezes parece que só eu estou indo pra cá!
Mas isso não é verdade!
Sou um cidadão comum, como outro qualquer, fácil de ser retratado nas entrelinhas de qualquer coluna social. Um cidadão que paga impostos, sonha com a casa própria, com um carro bonito e com uma família feliz! Que pega ônibus, pega filas, sofre no ambulatório médico, ...
Em umas das minhas leituras encontrei Ulisses Tavares.
Caiu como uma luva!
A GRANDE SOLIDÃO
Sozinhos nascemos. Sozinhos morremos. Assim é, assim sempre será. E morrer como todos sabem, é uma grande chatice. Algo que não se evita, infelizmente, nem malhando em academia e deixando de fumar. O ruim da morte é que evita a continuidade de nossos queixumes e esperanças.
Mas tem, sim, uma coisa pior que a grande e afiada foice. É a morte em vida. Aquela que permitimos, autorizamos, mas não deixamos rolar.
Me refiro, denuncio, essa morte estúpida e cotidiana de nada fazermos para romper a solidão. A minha, a sua, a de todos nós.
Custa pegar o telefone? Custa tanto assim abrir a porta? Custa algum dinheiro irmos ao encontro do outro?
Custa sim. Custa tanto que poucos fazem, preferindo se encapsular, como disse Fernando Pessoa, em sua própria cabeça.
Me refugio em meus pensamentos e excluo os Outros de meu mundo. Simples assim. Cruel assim. Meio masoquista, meio sádico.
Afinal, o Outro não me entende, compreende, me abraça.
Meus problemas são meus e ponto final.
Existe coisa mais estúpida que essa? Que tipo de animal somos nós que acha a solidão uma forma de defesa? Algum meteorito caiu sobre nossos genes e alterou nosso existir de mundo? O que existe de tão terrível em abrir nossa alma, escancarar nosso coração, nos entregar a braços e corpos estranhos? Será que ser frágil e finito e humano é mesmo uma fraqueza?
Nós, esquisitos humanos, por meios culturais ou genéticos, conseguimos o que parecia impossível: sermos um organismo vivo que renega outro organismo vivo. Por isso colocamos rótulos de inimigo na testa de quase todo mundo.
Mas a verdade é uma só e se sobrepõe a tudo: Se estou sozinho, estou morto. Orgulhoso zumbi.
É minha culpa, minha responsabilidade. Cabe a mim tomar uma providência já, agora. Será que sou capaz de fazer isso? Ou vou continuar esperando que o Outro tome a iniciativa?
Ulisses Tavares é o Outro, um cara igual a você. Idiota e solitário. Coisas de poeta.