Não tem jeito, vou ter que encostar meu corpo na mecânica para fazer um check-up geral da situação. Só de pensar com gasto que vou ter com essa reforma, o bolso começa a doer. Mas fazer o que? Não têm outra solução. Ou gasto um pouco das minhas economias, ou fico andando por aí batendo os pistões.
Tal diagnóstico se deu pelo fato de perceber que esta máquina não está mais satisfazendo seu próprio dono. Na funilaria eu não vou mexer. Apesar de alguns arranhões e outros amassados... Não é por isso que estou encostando o carro.
Estou encostando mais pelo motor. Este motor é muito bom. Mas começou a dar problemas... Como ele está comigo desde que eu me conheço como gente, passou por muitas aventuras e travessuras. Relembro de muitas histórias... Como é bom relembrar. Mas chegou a hora de reformá-lo.
Esses pistões que tanto bateram feito pulso, que tanto suspirou e agrediu o amor cedido, amargurou-se com a intensidade de seu trabalho. Movimentos repetitivos.
Velocidade máxima e mínima, dentro de um curto espaço de tempo. Por muito pegou após um ou dois trancos. Na descida aproveitando o embalo da longa estrada da vida... Mas agora nem essas arte-manhas conseguem fazê-lo funcionar. Andei colocando um pouco de óleo, para ver se aliviava seu trabalho. No começo obtive um resultado positivo. Os pistões trabalharam bem, pareciam não precisar de mais nada. Só de óleo. Mas quando menos percebi, o óleo incrustou nas laterais e o fez parar.
Resolvi trocar o óleo. Mas nada adiantou... Tudo que tentei fazer só deu resultado nos primeiros dias. Depois o motor começa a cair de produção.
Estou encostando meu corpo para trocar o motor...
PAZ
Leandro Carvalho da Selva
quarta-feira, 16 de abril de 2008
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