Um grito de socorro, silenciado pelo tempo perdido no espaço. Quantas vezes mais escutarei, sem saber de onde vem e para onde vai. O infinito preenche o vazio, o vazio fica contido de infinito, são apenas dois lados da moeda, que cabe ao interpretador escolher o que lhe convém. Esse grito chega aos meus ouvidos, as vezes mais intenso, fazendo minha alma tremer, as vezes mais fraco, suave, transformando a aflição em uma calma não desejável. Olho ao meu redor, vejo tantas pessoas, muitas situações, automaticamente forço-me a apontar para aqui ou ali dizendo: "Tu estás precisando de ajuda?" Mas a resposta sempre foi negativa. Que saco, ainda não encontrei à quem viva no desespero de ser ajudada. Acho que estou louco, se eu escuto, mas não posso ver, à quem devo esta proeza? Se pensar como um psicólogo, serei presenteado com algum distúrbio, se pensar como algum guru espiritual, estou recebendo mensagens do além. Mas no fim, mesmo com dúvidas tenho capacidade de realmente decifrar este enigma que me assusta.
Em um desses papos de fim de tarde, olhando o sol se esconder para mim e proporciando luz à outros, retomei alguns questionamentos. E percebi o quanto, ainda, não conheço quem vos escreve. O pior é ter a certeza de que tudo já está claro e resolvido, e depois cair na real que estamos só na ponta do iceberg. E nessa tarde, onde a passarinhada cantarolava cânticos de liberdade, fechei meus olhos, comecei a canalizar meus pensamentos nos restos de raios solares que à mim chegavam, tentando sentir a energia que alimenta e faz crescer, e veio o grito, o grito de socorro. Mas nesse momento foi diferente, consegui discernir o tom da tal voz, me assustei! Abri os olhos. Estava eu ali parado, perplexo por agora sim ter a certeza, que os gritos eram meus.
PAZ
sábado, 4 de outubro de 2008
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