quarta-feira, 16 de julho de 2008

Trégua

Simples acordo entre o bem e o mal. Tratado em contrato com a assinatura de ambas as partes. Estão dando trégua um ao outro, sem ressentimentos. Querem folga, estão cansados, muito duro a rotina desses dois lados, assim, acho merecida! Em umas das cláusulas do contrato, eles confirmam o que nós já conhecemos como livre arbítrio. Todas as decisões humanas não terão a intervenção do bem e do mal, será simples assim, cada um tomará a sua decisão sem qualquer tipo de manipulação. Ninguém mais será impulsionado pelo ódio, pelo rancor, pela paz nem pelo amor. É, eles não vão mais, por um determinado tempo, exercer força maior sobre essa tal liberdade. Mas isso me deixa confuso. Se temos o livre arbítrio, porque eles interferem incondicionalmente nessa tal liberdade??? Então a palavra certa não é "livre" arbítrio, seria melhor chamar de arbítrio "condicional". Mas vamos lá, não deixemos tais questões nos direcionar para fora da prosa inicial, estamos aqui para falar da trégua entre o bem e o mal. Já que eles não vão mais interferir, o que restará dentro da humanidade??? Qual sentimento que impulsionará os caminhos e as decisões??? O que acontecerá com o mundo??? Será que todos ficarão parados, imóveis, esperando tal força alavancar de dentro do peito a ação desejada??? Ou encontraremos o equilíbrio tão sonhado pelos pensadores que lutam pela igualdade??? Ou entraremos no caos total por não saber o que realmente nos impulsionava a viver??? Ou será que o vazio interior nos condicione a procurar o espírito que há dentro de nós??? Nossa! Tanta coisa pra perguntar...




Estranho pensar, mas fica imaginável agir!





PAZ

terça-feira, 8 de julho de 2008

Erich Fromm

“Habitualmente, os homens em toda sociedade acreditam ser natural e inevitável o modo pelo qual vivem. Não vêem outras possibilidades e tendem a crer que qualquer modificação essencial em sua forma de existência levaria ao caos e à determinação. Estão seriamente convencidos de que seu modo de vida é o certo, sancionado pelos deuses ou pelas leis da natureza humana, e que a única alternativa à continuação da forma particular pela qual existem é a destruição. Essa convicção não particular pela qual existem é a destruição. Essa convicção não é apenas resultado de doutrinação: está arraigada na parte afetiva do homem, na sua estrutura de caráter, modelada por todas as disposições sociais e culturais, que o levam a querer fazer o que tem de fazer, de modo a ser sua energia canalizada para servir a função particular que tem como membro útil de determinada sociedade. É por essa razão mesmo, ou seja, por estarem enraizadas nos padrões de sentimento, que os padrões de pensamento são tão persistentes e resistentes às modificações.”

Erich Fromm – A sobrevivência da humanidade – Publicado em 1961

O que dizer?
Não se preocupe quanto a vontade de mudar, ela acaba sendo oprimida por toda essa pressão social que vivemos. É natural, e mais claro ainda, quando nos colocamos dentro da história da humanidade.

Resista!

Apesar disso, até agora as probabilidades de que a atitude preventiva e racional seja tomada são desanimadoras. Não porque ela seja impossível segundo circunstâncias realistas, mas porque ambos os lados há uma barreira mental feita de clichês, ideologias, ritualísticas, e mesmo uma boa parte de loucura impede as pessoas – líderes e liderados – de ver com realismo e precisão quais são os fatos, e de separá-los da ficção e, em conseqüência, de reconhecer a existência de soluções outras que não a violência.”

Ainda há esperança!






PAZ

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Há um vilarejo alí...

Sonho, sim, algo que acontece quando durmo.
Sonho, muitas vezes com os olhos abertos.
Sonho, idealizações comigo e contigo!
Não sei se sonho para viver ou vivo para sonhar!

Estranho muito isso, mas só voltando alguns meses em memória percebo o verdadeiro valor de momentos que ficaram para trás. Estou longe do lar, do aconchego amigo, do afago da escolhida companheira... Não só longe em distância, mas em tempo. Muito bom poder voltar atrás, rever todos muito bem, mesmo com problemas que a vida nos proporciona, as vezes intencionalmente! Mas estão bem, e isso que importa.

Senti novamente o frio na barriga, fazia tempo que não o sentia. Na chegada à casa de shows, após virar a esquina, quando viam-se a grande massa de gente esperando a sua hora para entrar para o espetáculo... Era alí, que a felicidade me visitava, e podia ter certeza o que era a minha vida, sem medo, sentia que a revolução estava próxima, não sei porque nisso acreditava, mas colocava fé nas minhas músicas, nos meus amigos e companheiros de palco, nas pessoas que alí estavam esperando ouvir meus gritos de desespero!
Mas desta vez foi diferente, não foi o show, não foi o palco, não foi o público, e sim estar presente junto daqueles que fizeram parte desta história. Nesse último fim de semana, um grande amigo casou-se, o guitarrista do Alvo13, e eu estava presente! Maravilhoso perceber que a magia não acabou. Relembrando as histórias, muitas vezes bizarras e cheios de pecados que peço ao bom Deus que me perdoe!

Vejo como algo tão natural, na época, para nós de fazermos músicas se transformou no melhor momento de nossas vidas! Sonhos?! Talvez, mas se queríamos algo relacionado à música ali era o melhor lugar para estarmos, e por simples mudanças de planos divinos não estamos mais juntos. É duro acreditar que tudo isso tem que acontecer, é muito mais que difícil enganar o coração à provar que está tudo bem, acabou alí apenas o real, o sonho, os sentimentos e as sensações continuaram a nos unir em um mundo paralelo para vivenciarmos tudo isso novamente!

Daí recebo uma ligação...
Mas isso é uma outra história.

É mais fácil criar fortalezas no sólido passado, que no solúvel futuro!

Estou vivendo... estou sonhando!






PAZ